Existia uma Natal pacata, de poucos automóveis e motocicletas. A BR-101, que hoje tem horário de pico ininterrupto, era tranquila. Para os transeuntes, atravessá-la a pé não era contratempo. Os edifícios, naquele cenário ainda inexistentes, permitiam a vista até a parte elevada que hoje fica próxima ao Sam’s Club.
Por falar em empreendimento, ao fundo, do lado esquerdo, destacava-se a caixa d’água da São Paulo Alpargatas S.A. A empresa, presente em solo potiguar desde meados da década de 1970, marcou a paisagem do bairro de Neópolis e chegou a empregar quase mil funcionários. O marco daquele espaço também era motor da economia. A fábrica encerrou suas atividades na capital norte-rio-grandense em 2012, quando contava com pouco mais de 80 profissionais.
O espaço mudou: mais carros, mais motos. A BR deixou de ser um lugar tranquilo para a travessia a pé. Os edifícios ocuparam o espaço outrora vazio. O crescimento de Natal encaixotou pessoas em condomínios verticais. Hoje, usar a BR é sinônimo de estresse, atraso e congestionamento. Já não existe espaço para contemplar.
Eis aí a pergunta do historiador: o que existe para contemplar no progresso? Há muito. Mas, certamente, já não existe mais a Natal pacata.
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